Por que a oposição erra tanto?

por Tarso Genro e Vinícius Wu

O elemento chave para a compreensão do atual período político no país é a análise da percepção da sociedade a respeito da crise econômica, de seus impactos no país e das iniciativas do governo federal para enfrentá-la. Mesmo rejeitando simplificações e afastando-se de uma abordagem economicista da realidade social e política do país, é possível afirmar que esta é a temática que organiza a atual conjuntura. Todo o esforço da oposição e de alguns “formadores de opinião” nos últimos meses em desviar as atenções da opinião pública nacional, exclusivamente, para a “crise” do Senado, aparentemente, tem como objetivo principal ofuscar o sucesso obtido pelo governo Lula em sua estratégia de enfrentamento à crise.

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32 comentários em “Por que a oposição erra tanto?”

  1. Fernando Stern Diz:

    Gostaria de parabenizar os autores do Blog. Ao que parece, teremos uma nova opção na Internet na busca por textos inteligentes que fujam do senso comum e das manipulações midiáticas tão recorrentes em nossos dias.

    Penso, que em tempos em que se fala de novas formas de fazer política e em formar organziações políticas de novo tipo é muito saudável que haja uma comunicação direta e interativa entre todos que quiserem e puderem colaborar com essas reflexões.

    Além disso, dou os parabéns aos executores do Blog que ficou muito bonito e de fácil leitura! Certamente de precisou de muito tempo para tal tarefa.


  2. Quero iniciar elogiando a iniciativa dos três na blogosfera, há muita contribuição para ser compartilhada e muita gente com sede de informação e opinião cada dia mais distante dos jornais brasileiros. Tenho dito, com a experiência de três anos de quase 200.000 acessos no meu blog pessoal, que o segredo de um bom blog é informação e periodicidade. Se há o que ler e grande atualização, os internautas acessam e retornam.
    Vida longa ao Leitura Global!

  3. Lúcio Flávio Vale da Silva Diz:

    Caros companheiros,
    A internet é realmente um instrumento maravilhoso.
    Parabéns pelo blog e pelo texto. A análise está perfeita.
    Tenho apenas um complemento a fazer. A “crise” no Senado é muito séria. Mas a crise que a oposição pretendia criar, com a saída do Sarney, era pior ainda.
    Estarei acompanhando o blog.
    Um abraço amigo,
    Lucio Flávio
    PT-Taguatinga-DF


  4. +Bem vindos a blogsfera, espaço democrático da informação. Que venham os textos e opiniões. Já estão linkados no meu Blog.

  5. José Ricardo Diz:

    Prezados,

    Excelente texto!

    A oposição está perdida, quando digo a oposição, me refiro ao consórcio DEMO-TUCANO e os Grupos Oligárquicos do PIG.

    Fingem não ver que a revolução no país está em andamento. Os tempos são outros. Fecham os olhos para os avanços sociais e econômicos deste Governo achando que conseguirão enganar o povo.

    Vamos partir para o ataque, esses caras não tem mais a força que tinham antes. A Intenet vai aos poucos exterminando com esses grupos de comunicação. Vejam o exemplo do Blog da Petrobras.

    Quem sabe faz a hora. E a hora de assegurar o avanço do país é agora. Vamos nos preparar para a balha final em 2010.

    À Luta!!
    José Ricardo

  6. flavio cunha Diz:

    Parabéns pela iniciativa! é de extrema importância o aumento de espaços de informação qualificada, uma vez que os jornais tradicionais da grande mídia estão servindo apenas para lermos as notícias de futebol(e mesmo assim tem colunista esportivo metido a analista político). Aqui no RS, a mídia simplesmente esqueceu de noticiar sobre os escãndalos do Piratini, passando a dar espaço ao choro da Yeda, declaração de amor ao governo pelo Santana, etc.

  7. João Henrique Diz:

    Prezados,

    Excelente texto! Análise racional, inteligente, sóbria. A palavra VERDADE quando dita com veemência, firmeza, e carregada de argumentos autênticos, não tem outro sentido se não a confirmação do trabalho sério e bem feito. Parabéns ao blog. De agora em diante estou com vocês!

  8. Almir R. Américo Diz:

    Meu cumprimentos aos autores, pelo texto e pela iniciativa de inaugurar este espaço de comunicação. Precisamos mesmo oxigenar o debate dos temas relevantes ao país, hoje interditado por uma mídia parcial, partidarizada e decadente. Sigam em frente!


  9. Parabéns pela iniciativa e também pela excelente análise pertinente e bem construída. Indexarei o blogue de vocês e repercutirei a matéria. Avante, Brasil!

  10. Luciano Prado Diz:

    Para responder a indagação posta no título que, aliás, já foi muito bem respondida por seus autores, o internauta poderia dar outra explicação: “por que são burros!”

    Ocorre que a oposição não é burra, ao contrário, é bastante inteligente, e até demais.

    Mas acho que a ficha ainda não caiu. O Brasil não quer mais ouvir falar nessa lengalenga diária da escandalizarão. Nessa “estratégia” furada de tentar criar uma crise a cada derrota.

    Por outro lado, os oposicionistas carregam a cultura da cassação, herdada da ditadura militar. Preferem destruir o adversário a rebater suas idéias e argumentos.

    A cada dificuldade ou derrota política os oposicionistas buscam o caminho “mais fácil”; destruir moralmente o inimigo político e estripá-lo do poder. A última vítima foi o presidente do Senado, José Sarney. Mas não foi o primeiro nem será o último.

    A oposição precisa encontrar um outro campo de batalha. Sugiro o das idéias e propostas.

    • Lúcio Flávio Vale da Silva Diz:

      Meu caro Luciano Prado,
      Seu comentário estava indo muito bem.
      Mas aos 48 do segundo tempo, você me matou! Chamar o Sarney de vítima!? Ele já foi biônico no tempo da ditadura. Passou pelos ranários. Foi escudeiro dos fraudadores do painel. Já mudou de domicilio eleitoral…
      Meu problema é que como confio plenamente no Companheiro LULA defendo a permanência do Sarney.
      Um abraço amigo,
      Lúcio Flávio
      PT-Taguatinga-DF

      • Luciano Prado Diz:

        Meu caro Lucio Flávio

        Meu comentário não teve o propósito de concorrer a nenhum concurso.

        Entretanto, lamento que o juiz não tenha dado o gol só porque ocorreu na prorrogação.

        Também, meu comentário não se refere especificamente a Sarney. A vítima (a que me refiro) da oposição poderia ser qualquer um que se encontrasse na presidência do Senado e apoiasse o governo Lula. Coincidentemente Sarney estava lá. Mas folgo em saber que você, ao final, acaba por concordar, porém, de forma atravessada.

        Volto a reafirmar o que penso. Sarney (poderia ser qualquer outro) foi eleito senador pelo voto popular e no Senado pela maioria dos senadores. Retirá-lo da presidência à fórceps não está no rol dos princípios que acredito. Cassar, impedir, extirpar, desonrar não é a minha praia. Ao contrário de você, defenderia os direitos de Sarney (ou de qualquer outro) mesmo que ele não apoiasse o governo Lula e mesmo que eu não confiasse no Companheiro.

        Sarney (ou qualquer outro senador) pode até ser portador de doença contagiosa, mas não é matando o doente que se cura a doença.

        Não defendo a conduta política de Sarney nem seus métodos jurássicos de alcançar seus objetivos.

        Mas acredito na regra geral, segunda a qual ao se defender um direito não se pode sacrificar outro.

        Você bem que poderia tentar resolver o tal problema que admite ter. Ou seja, não deveria apoiar a permanência de Sarney na presidência do Senado só por conta da confiança que deposita no Companheiro. Mas tentar levar sempre em consideração os princípios democráticos, mesmo em reação aos adversários políticos e desafetos.

  11. João Bastos Diz:

    Parabéns pela bela pagina. Sejam bem vindos

  12. Caio Diz:

    parabéns pelo blog

  13. Caripuna Diz:

    Lançamento oportuno, nave adequada, conteúdo de robusta textura epistemológica. Boa fonte de conhecimento e debate. Barabéns. Bem vindos à trincheira.

  14. alexandre Diz:

    parabens! bem vindos!!


  15. muito bom, tá faltando informação ponderada de esquerda e inteligente entre os blogs… vou continuar acompanhando esse blog! bom artigo, abrange todo o contexto sem faltar nada. Valeu!

  16. Júlio Vellozo Diz:

    Oi amigos, Wu e Alberto, como estão?

    Só faria um reparo ao texto de vocês. Acho que, se é certo que a crise não atingiu o Brasil em cheio e que as medidas do governo foram competentes, não é correto atribuir o apoio ao governo a isso, como o texto parece fazer.
    Explico-me: a política do governo causou uma sensação de não crise, portanto, não há este sentimento, em especial nos setores mais carentes da população de que a crise foi vencida. É diferente de uma situação onde uma crise social é sentida e depois superada. No nosso caso não foi sentida.
    Eu atribuiria a popularidade do governo a uma melhora firme e constante melhora na qualidade de vida da população, somada a uma sensação de um futuro mais promissor. Elementos como o pré-sal e prouni, por exemplo, dão esta sensação de que “meu filho viverá melhor do que eu”. Não subestimaria este sentimento de que se está construindo um futuro melhor, e que esta construção não pode ser interrompida. Não entraria em uma gincana com a oposição pra ver quem enfrenta melhor os vendavais.
    Acredito que dar ao enfrentamento da crise todo este destaque na composição da avaliação do governo Lula é um certo exagero.
    Um abraços a todos e parabéns pelo blog.

  17. kalango Bakunin Diz:

    parabéns
    mais outro para desafinar o coro dos tucanos
    será que podemos ver porque a lina se escafedeu de vez
    o PIG finge que ela nunca existiu
    os tucanos pararm de crocitar?
    seria uma bela matéria
    mostrar o estouro de uma bolha de infâmia

    já os tenho nos meus favoritos
    benvindos à nossa indomável, incensurável internet

    • Francion Justino Diz:

      Dileto Kalango Bakurin,

      Quem enfiou o alfinete na bolha da Lina Vieira, foi o Everardo Maciel. Foi maravilhoso vê-lo chamá-la de incompetente… e na Globo. Daí a mentirosa é só concluir.
      Ela, além de conterrânea, é criatura do Sen. José Agipino, aquele que ainda não se estruturou emocionalmente do pito que tomou da Dilma.Táí uma das explicações. Além de querer se vingar, quer desconstruir a candidatura da Dilma, sem se expor pra não tomar outro, em rede nacional.

      In tempore: gostei do pseudônimo…

      Cordialmente.

      Francion


  18. Excelente texto, que seja o primeiro de muitos e longa vida a este blog!

    Parabéns pela iniciativa e que outros tantos se sensibilizem da importância de se gerar conteúdo de qualidade para fazer contraponto ao discurso único golpista da grande mídia.

    Este blog já está listado em meus favoritos.

  19. José Geraldo Diz:

    Excelente avaliação!
    Será que os GRANDES repórteres globais vão continuar tentando manter os ares de catástrofe se avizinhando, será que vamos continuar observando a abordagem esquizofrênica das notícias pela midia oficial? Os fatos estão aí, para quem puder ver!
    Ninguém pode negar o carisma e a capacidade do Presidente além é lógico de uma estrela de sorte fantástica, porém, como dizia o dramaturgo Nélson Rodrigues ” sem sorte ele teria sido atropelado por uma carrocinha de chica – bom aos cinco anos de idade”
    Saudações


  20. Dos quatro ilustres blogueiros, conheço pessoalmente apenas o mestre Tarso Genro, hoje Ministro de Estado. Foi meu professor de “português” no Curso Santanna – em Rivera/Uruguai – já há alguns anos idos. Mas frequentemente nos encontramos nas campanhas, palestras, publicações. Tarso, além de cidadão do mundo, é um formador nato e cada vez mais preparado. Pelo estudo, pela trajetória política, pela responsabilidade dos cargos que ocupa, pela participação efetiva e pela maneira enfática de dizer as coisas. Marcou-me profundamente quando o professor Tarso presenteou-me o livro de poesia “Acorda Palavra”. Tenho sempre ao alcance da mão um pequeno/grande livro “Esferas da consciência” que bem disse Pilla Vares na introdução: “Os livros fundamentais na vida de um homem são aqueles que lhe acrescem mais algum motivo para viver…” Eis aqui a grande resposabilidade deste blog, que com certeza, os quatro ilustres e todos futuros amigos, saberão ser fundamentais com suas postagens. Enquanto eles cometem erros e erram muito, vós acertais. Estamos também juntos na proposta. Como certos livros, este blog será decisivo. Parabéns… Abraços professor Tarso. Do ex-aluno Canabarro.

  21. Valdir Diz:

    Quando a direita defende essa demencia que eh produzir carros hoje, a esquerda, com razao, cai de pau em cima. Mas quando eh a propria esquerda insistindo no erro, nao tem ninguem pra fazer uma auto-critica. Acho uma barbaridade um sujeito que se diz de esquerda argumentar que a pujanca da industria automobilistica eh um sintoma de que as coisas nao vao mal (eles esquecem de completar a frase: nao vao mal para a industria automobilistica). Francamente. Nesse caso, a analise deixou de ser global e passou a ser uma analise construida do ponto de vista das elites que estao destruindo esse planetinha.

  22. Douglas O. Tôrres Diz:

    PT vai lançar rádio e TV na web para alavancar Dilma

    Mesmo sem a certeza da aprovação pelo Congresso do projeto que regulamenta uso eleitoral da internet, o PT já começa a tirar do papel um de seus principais projetos nessa área. Em mais um sinal de que está decidida a tirar proveito da rede mundial de computadores na corrida presidencial de 2010, a direção nacional do partido decidiu criar uma emissora online de rádio e televisão.

    Apesar de surgir como um canal institucional de comunicação, o projeto ajudará desde já a melhorar a exposição da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na rede. Além disso, reconhecem dirigentes da sigla, é uma chance de testar o potencial de ferramentas online que poderão ser replicadas pela campanha petista na eleição de 2010.

    A estratégia ainda está em fase de desenvolvimento, mas a pretensão do PT é ir além da simples publicação de vídeos em seu site na internet, fórmula que já existe nas páginas de vários partidos políticos. A ideia é, no longo prazo, cobrir “todo o dia a dia do PT”, por meio da produção de reportagens, cobertura de eventos, entrevistas e transmissões ao vivo, de forma a preencher uma grade completa de programação voltada aos internautas.

    O partido já encomendou equipamentos para montar um estúdio completo dentro do prédio que abriga a sua sede nacional, em Brasília. Parte da equipe da emissora será montada por meio da ampliação do atual quadro de funcionários na área de comunicação. Mas uma parcela do conteúdo será produzida por meio de um contrato de terceirização com uma empresa especializada. O plano é iniciar as transmissões, ainda num formato mais tímido, entre novembro e dezembro.

    Até o fim deste ano, a expectativa da direção partidária, é de gastar R$ 150 mil na iniciativa. O montante, de acordo com petistas, servirá apenas para “dar a largada” no projeto. A próxima direção da sigla, que será escolhida na eleição interna agendada para novembro, vai definir os valores que serão aplicados no projeto durante o ano eleitoral e dali em diante. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  23. Carlos Eduardo Grisolia da Rosa - Calico Diz:

    Quero registrar os meus cumprimento pela iniciativa deste Blog e, dizer da certeza do sucesso do mesmo, pois a qualidade intelectual de seus protagonistas chancela um espaço democrático de elevada reflexão sob os mais variados enfoques da nossa conjuntura.

    Quanto ao tema proposto, atrevo-me dizer que não existe possiblidade da oposição acertar, pois esta presa a dogmas, conceitos e preconceitos, que dialogam com um mundo que “ruiu”. Portanto, a oposição não dispõem mais de paradigmas e premissas fáticas, reais e, isto não lhes retira somente a crediblidade e, sim lhes tira o rumo. Com isso, a sabedoria popular e o inconsciente coletivo, com muita propriedade, identificam e “farejam”, onde esta a verdade e uma lógica verdadeiramente comprometida com o crescimento sustentável, com a distribuição de renda, com o equilíbrio ambiental e, especialmente com a realização do bem comum.

  24. Fernando Barbosa Diz:

    Parabéns pelo blog. Somente com energia, perseverança, qualidade e, principalmente verdade, é que derrotaremos esta oposição medíocre e cheia de ranço. Mais um veículo livre, para combater a PIG. Só não podemos esquecer que a oposição, já minou Dircer, Palocci e, agora Dilma. Creio que se o Lula escolhesse o Kaká, aquele mesmo queridinho de 10 entre 10 sogras, com certeza a oposição anti-construtiva iria criar fatos contra Kaká. Parabéns mais uma vez, que venham para ficar.

  25. Eugênio Neves Diz:

    Blogueiros

    Saúdo a iniciativa – ainda que tardia – de criar esse blogue.
    Parece que, finalmente, algumas personalidades da esquerda começam a se dar conta da importância de buscar um canal direto com a população (ou pelo menos com seus simpatizantes), livre dos atravessadores da desinformação, que são os veículos da mídia corporativa.
    Apesar de reconhecer a iniciativa, não consigo me livrar da sensação de que ela está sendo tomada, agora, muito mais por imitação do que por convicção. Não foram poucas as vezes em que os militantes por uma mídia democrática e blogueiros de esquerda alertaram para a necessidade de se criar tais canais, com o objetivo de quebrar o monopólio midiático. Eu mesmo perdi a conta dos textos que escrevi sobre o tema, bem como dos que li, de outros autores, companheiros dessa luta. No entanto, nunca conseguimos sensibilizar ninguém para aquilo que eu, modestamente, considero o maior desafio da esquerda contemporânea: o enfrentamento com a mídia. Desafio muito maior do que o da luta de classes proposta por Marx, visto que, hoje, o conceito de classe dominante, poder econômico e mídia, são um todo inseparável. Não que os fundamentos que Marx deixou não sirvam para explicar a realidade do presente. Mas é preciso agregar a esses fundamentos novos conceitos, como por exemplo, os estudos sobre comunicação e mídias.
    Nunca se percebeu no campo da esquerda, salvo por parte de alguns teóricos que pregavam no deserto, uma abordagem séria para organizar esse enfrentamento e buscar formas alternativas de comunicação. Toda a produção teórica para embasar esse enfrentamento está aí, de sobra, disponível para quem quiser levar a tarefa adiante. No entanto, podemos dizer, sem medo de cometer injustiça, que o governo Lula é um exemplo clássico de negligência no trato desse tema. Passa-se, praticamente, uma década em que não foi feito um único movimento consequente para mudar essa realidade: a de um governo refém da mídia.
    Mas, de repente, no apagar das luzes, começam a pipocar blogs por todos os lados. É o Blog da Petrobras, do Planalto …e esse. Finalmente nossos clamores de pregadores do deserto foram ouvidos, ou esse “fenômeno” tem uma explicação mais prosaica? Como por exemplo, uma mera imitação (a qual me referi acima) do que foi feito na metrópole: se o Obama fez e deu certo, vamos fazer também!
    Sim, por que o que está sendo feito agora, poderia e deveria ser feito há oito anos atrás. Deveria ter sido a primeira providência do governo Lula: criar uma alternativa à mídia corporativa. Todas as ferramentas para isso já estavam disponíveis, pelo menos na internet. Tanto, que os blogueiros já as dominavam.
    Claro…vamos dar um desconto. Lula imaginava que poderia estabelecer um modus vivendi com a mídia, por mais ingênua que essa idéia possa parecer a quem, cotidianamente, luta contra esse monopólio.
    E agora? Esse novo comportamento revela uma disposição de fazer um contraponto a mídia ou é um mero movimento com fins eleitorais? Qual é, exatamente, a finalidade desse blogue, por exemplo?
    Quer me parecer, a estas alturas, que a idade da inocência já acabou. O enfrentamento com a mídia é um caminho sem volta. Não se pode começar esse embate e depois desistir dele ao sabor de conveniências do momento.

    Fiel ao que disse antes, quando falo em oposição, falo em enfrentamento de classe, falo em poder econômico e, principalmente, em mídia. Assim, faço a leitura da primeira postagem do blogue a partir dessa perspectiva.
    O texto inicia discutido o fato de que a oposição “erra” na crítica ao governo, para em seguida alinhar uma série de dados para demonstrar esse “erro”. Penso que não é bem esse o enfoque, pois me parece um tanto ingênuo pensar que a oposição “erra”. O que, no meu entender, deveria ser o foco do texto, é o porque a oposição insiste no “erro”, quando a realidade a desmente a cada momento. Me parece, também, que os próprios articulistas reconhecem esse poder midiático no primeiro parágrafo, quando dizem do “…esforço…de alguns (só alguns?) “formadores de opinião” nos últimos meses em desviar as atenções da opinião pública nacional…”, ou quando se referem, no segundo parágrafo, ao “… termo “marolinha” …” que “…tornou-se o mantra oficial dos grandes meios de comunicação, percorrendo desde os principais telejornais até programas humorísticos.”
    É evidente que a mídia reconhece os feitos do governo Lula, tanto assim, que precisa desgastá-lo a todo o momento. Incapaz de exibir um projeto político e realizações por conta do fracasso rotundo do neoliberalismo, ou de produzir, no campo teórico, uma crítica consistente ao governo, a direita, através da mídia, opera com o que lhe é possível. E convenhamos: controlando a mídia com mão de ferro como ela controla, pouca coisa lhe é impossível. Lança mão de manipulações e meias verdades, quando não de mentiras descaradas. Aquilo que os articulistas consideram um erro, é, na verdade, feito de caso pensado. E esse trabalho de desgaste é diretamente proporcional a incapacidade do governo em se contrapor à mídia.
    O uso de factóides parece, a primeira vista, uma estratégia que não se sustenta. Se encararmos pelo lado de que os factóides são, mais cedo ou mais tarde, desmentidos, ela parece inócua. Mas só parece. Alguém já parou para pensar qual é o efeito residual disso tudo? Qual é o efeito residual do factóide Lina, por exemplo? Nós, que estamos familiarizados com os movimentos da política, sabíamos, desde o primeiro momento, que não passava de mais uma armação da direita. Mas e o resto da população? Pergunto: quantos viram o insuspeito Everardo Maciel colocar a pá de cal e praticamente desmoralizar Mônica Waldvogel em seu programas de entrevistas na TV a cabo da Globo, quando esta ainda tentava dar credibilidade ao factóide Lina? Quantas vezes a população viu essa mentira ser apresentada como verdade pela mídia e quantas vezes a viu ser desmentida? Ou, quantas pessoas ficaram sabendo que a Folha de São Paulo usou de documentos falsos para grudar em Dilma a pecha de terrorista? Esse factóide também foi desmentido. Mas quantos sabem disso?
    Então, naquilo que sobra como efeito residual, no que fica na memória coletiva, os factóides são muito eficazes. E para neutralizá-los o governo não tem nenhuma contra medida. A não ser o fato de poder dizer, lá adiante, depois do estrago já feito e quando isso não tiver mais nenhuma importância para a formação de uma opinião pública, que tudo não passou de uma grande campanha de mentiras da oposição. E sem falar que sempre corrermos o risco de a direita acertar o “time” e fazer coincidir um desses factóides com o processo eleitoral. Acho que ninguém tem ilusões sobre o poder que tem uma mentira para desequilibrar uma disputa, quando disseminada no momento exato e pelos meios apropriados. O próprio Lula já foi vítima disso.

    Na sequência, o texto exibe uma série de dados que seriam o demonstrativo do quanto a população entende e aprova o governo Lula. Sempre achei uma temeridade basear o desempenho de um governo em dados percentuais. E tanto isso é verdade, que os próprio autores reconhecem que “…o governo Lula termina por capitalizar sozinho todos os resultados positivos, inclusive os que não são necessariamente de sua responsabilidade.” Fica assim demonstrado que a população não tem um critério muito rígido para avaliar o desempenho do governo. Nesse momento, fomos beneficiados. Mas também pode acontecer o contrário.
    Mesmo que a crise atingisse o Brasil com mais intensidade, ainda assim, eu continuaria com a certeza de que o governo Lula seria a melhor alternativa, por entender que a crise é inerente ao sistema econômico que impera no mundo. Mas a população, tem esse entendimento? Me parece que não. E bastaria que os efeitos da crise fossem um pouco maiores, para que esses percentuais despencassem, pois que eles simplesmente refletem uma tendência de aprovação baseada em fatos imediatos e não na compreensão da natureza dessa crise. Assim, pela sua volubilidade, nunca fui muito entusiasta das pesquisas.
    Outro grande problema das pesquisas é o fato de que elas, combinadas com outros fatores subjetivos que deveriam ser alheios à política, estão deslocando o debate político. Nota-se uma disputa em torno de números em detrimento dos projetos e das posições ideológicas. Sem contar o fato, gravíssimo, de que a mídia as usa ao seu bel prazer, induzido um eleitorado sem convicção ideológica a votar no candidato melhor colocado.

    Para quem votou em Lula por convicção ideológica, esses dados são irrelevantes e não alteram a disposição de continuar votando nele. E não representam garantia alguma da continuidade do seu projeto. Apesar de ser inegável a competência do governo Lula, (traduzida por esses números), na condução da economia e das políticas sociais, mesmo não tendo feito uma ruptura significativa com a doutrina econômica do governo anterior, ainda assim, tudo pode ser aniquilado pela incapacidade desse governo em criar um projeto de comunicação capaz de fazer a população, como um todo, refletir e entender o que realmente se passa.
    O que está por trás dessa incontestável e aparente frieza dos números apresentados no texto, é, na verdade, uma reação emocional da população. Enquanto as coisas estiverem indo bem, Lula está seguro. Nada mais natural. Mas basta o primeiro tropeço, alguma coisa, mesmo que insignificante, que a direita possa explorar, e tudo desanda. Parece que o governo aposta demasiado no carisma de Lula ou o confunde com projeto político. São duas coisas completamente distintas. O carisma está ligado muito mais a fatores subjetivos do que a uma percepção da realidade. E ao contrário do projeto político, que pode ser passado adiante por afinidade ideológica, o carisma não se transmite de forma automática. Aí reside a vulnerabilidade do governo Lula. Não há garantia alguma de que o candidato a sucedê-lo herdará sua aceitação, quando essa aceitação está baseada mais no emocional que no racional.

    Nunca pactuei com essa visão idílica que a esquerda tem do povo, como sendo o depositário de toda a sabedoria. O povo erra. E era feio, susceptível que é a todo tipo de maquinações. Nós, aqui no RS, que o digamos. E erra justamente por colocar aspectos emocionais antes daquilo que realmente deveria interessar em relação a um candidato: qual é o seu projeto político. Infelizmente essa é uma percepção para poucos. E é justamente nesse momento que a falta de um projeto de comunicação se faz sentir. Sem ele é muito difícil esclarecer a população (de forma didática mesmo) sobre a importância do projeto político. Mais: esclarecer sobre a importância da própria política, do seu papel na mediação dos interesses em jogo dentro de uma sociedade. Ou de recuperar o verdadeiro debate político, com propostas, princípios, idéias, e compromissos, despindo-o de tudo aquilo que não interessa, de todas as subjetividades e penduricalhos com que a marquetagem infestou a política. Meu sonho de “consumo” é ver um candidato do nosso campo, em mangas de camisa, participar de um desses debates televisivos meia boca, apontar o dedo para a câmera, sem aquela obsessão de ser simpático, afável, apelando para o cérebro ao invés dos intestinos do telespectador e dizer: “o que vocês precisam levar em conta não é a cor da minha gravata, do meu terno, nem o meu corte de cabelo. Eu não vim aqui para vexes me namorarem ou para arranjar namorada. Eu vim aqui para uma disputa política. Eu vim aqui para apresentar o meu projeto. E se vazes se interessarem e prestarem atenção, perceberão que o que eu digo não é a mesma coisa que os meus adversários dizem. Há diferenças muito importantes que traduzem claramente o que cada um fez, faz e fará no seu mandato. Isso é o que interessa. O resto é perfumaria e enganação”. Ah!!!, e sobretudo, sem aquela preocupação imbecil de “ganhar” o debate. Debate não se ganha fazendo caras e bocas. Isso é mais uma das práticas diversionistas que foram introduzidas na política pela mídia. Não é raro ver-se, logo após o debate, um bando de nulidades que se auto intitulam comentaristas políticos, confundindo os incautos ao sentenciarem que fulano ou beltrano “ganharam” o debate. Não consigo imaginar o que um candidato de direta possa dizer que faça mudar meu voto a seu favor. Ou se sabe ou não se sabe em quem se vota, de tal forma que só existem surpresas para os desinformados. Assim, aceitar a tese de que alguém ganha um debate é a confissão de um alto grau de despolitização e de falta de convicção ideológica. E perseguir esse objetivo, o de “ganhar” o debate, é perpetuar uma prática alienante e despolitizadora. O nosso objetivo deve ser o de fazer com que as pessoas raciocinem a partir do que o debate expõe como projeto político e não o de “torcer” pelo candidato.

    Alguém precisa ter a coragem de questionar essas práticas da mídia. Principalmente nesse momento, em que ela faz uma campanha insidiosa, descontextualizada e sem trégua contra os políticos, buscando com isso assumir, ela própria, esse papel de mediadora das relações sociais. O melhor exemplo disso é campanha contra Sarney. A mídia o aponta como o problema, mas, cinicamente, nunca se assumindo como parte desse problema. Ou será que alguém desconhece as relações carnais entre Sarney e a Globo, por exemplo? A maioria da população desconhece e não percebe a óbvia manobra política para atingir Lula. Pois se assim não fosse, não estaria agindo como massa de manobra, repercutindo o discurso vagabundo da família Marinho, na sua cruzada de fachada pela moralização da política. Conheço muita gente “boa” que caiu nessa e que não pode ser considerada “povão”. O que não faz uma mídia canalha. E a falta que faz uma mídia minimamente comprometida com a informação!

    No entanto, o Governo Lula se nega a encarar a mídia como um problema seriíssimo a ser enfrentado. Tergiversa, quando não pactua com ela, despudoradamente. Pelo menos, é o que se depreende do rumo que as coisas tomaram na preparação da primeira (e talvez única) CONFECOM – Conferência Nacional de Comunicação. Diferentemente das outras conferências nacionais envolvendo governo, empresários e sociedade civil, onde as propostas são aprovadas por maioria simples, na CONFECOM o quorum qualificado, por imposição da mídia, passou a ser de 60% + 1(!!!) para a aprovação dos chamados “temas sensíveis”. As representações percentuais ficaram assim divididas: 20% para o Governo, 40% para as entidades da sociedade civil e 40% para os empresários da comunicação, percentual este que vai muito além de sua real representação na sociedade brasileira. Mais uma vez, ao render-se as suas imposições, fica patente a histórica incapacidade e indisposição do governo em peitar a mídia. E para agravar o quadro, parte da sociedade civil, sabe-se lá por que, pactuou com o governo na aprovação desse bizarro quorum. Fica fácil antever qual será o desfecho dessa conferência. Provavelmente sairemos dela pior do que entramos, com o monopólio midiático legalizando tudo aquilo que ele já faz ilegalmente e que é contra o interesse da sociedade brasileira.

    É sabido que o ministro Tarso Genro aspira disputar as eleições para o governo do RS. Aspiração legítima. Talvez a criação desse blogue ou qualquer outra medida que ele venha a adotar na área da comunicação sejam os primeiros movimentos da sua campanha. Contudo, Tarso deve levar em conta que esse movimento não pode ser simplesmente interrompido após o término das eleições. Principalmente se ele for o vencedor. Tal como aconteceu com Olívio Dutra, a mídia do RS serrará fileiras contra seu governo, sabotando-o franca e abertamente, desde o primeiro dia. Se alguém tem dúvida disso, que faça um exercício de imaginação: se o governo Olívio tivesse produzido um quinto dos escândalos produzidos pelo governo Yeda, há quanto tempo a mídia já o teria deposto? No entanto, Yeda está blindada por uma armadura midiática. Portanto, Tarso precisa encarar seriamente a formulação de uma política de comunicação que permita a ele um canal alternativo a mídia corporativa. A criação desse blogue é um bom começo.
    Mas é preciso dar um salto qualitativo, como aconteceu com a criação do blogue da Petrobras. Ela colocou a comunicação via blogue, que até então era uma atividade exercida individualmente, num novo patamar, ao transformar essa ferramenta num canal de comunicação corporativa. O golpe foi sentido, ao ponto da mídia questionar de forma quixotesca a legitimidade dessa iniciativa e tendo, ela própria que desencadear uma campanha publicitária de auto legitimação, para tentar recuperar a credibilidade abalada, como foi o caso da Folha de São Paulo. É importante relembrar que o Estadão, em 2007, portanto antes da própria Folha, tentou desacreditar o movimento blogueiro como um todo. Quebrou a cara e teve que se retratar.
    Como no caso da Petrobras, um novo patamar pode ser atingido na comunicação via blogue. Será quando personalidades políticas do campo popular superarem o fetiche que tem pela mídia corporativa e começarem a prestigiar a blogosfera de esquerda, pronunciando-se através dela. Isso qualificará sobremaneira essas iniciativas individuais (mas operadas em rede) e que até agora são o único contraponto de fato ao monopólio midiático. Tarso saberá reconhecer a importância dessa rede, já que ele próprio é seu mais novo integrante? Isso é o que veremos.

    Eugênio Neves

  26. Liza Diz:

    Eugênio Neves.
    Que possamos contar, sempre, com comentaristas como você por aqui.Aceite meus cumprimentos.

  27. Vanessa Rocha Diz:

    Parabéns ao Leitura Global…tenho acompanhado e é muito bom ter uma canal de comunicação com informações qualificadas, o que é tão raro hj em dia.
    Estaremos juntos!

    Vanessa Rocha


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